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Cobertos em Galpão, Automóveis Clássicos não têm data para Restauro

Cobertos em Galpão, Automóveis Clássicos não têm data para Restauro Tucker é uma das principais raridades da coleção (Foto: Carlos Santos/G1)

Quase dois anos depois de receber a doação do acervo de carros antigos e raros do colecionador Roberto Lee, a Prefeitura de Caçapava ainda não sabe quando irá restaurar os veículos e expor novamente ao público. Lee criou, em 1963, um museu de carros antigos que chegou a ser o maior acervo da Améria Latina na década de 1970.

Desde janeiro de 2011, a administração municipal é responsável pelo acervo, mas nenhum automóvel foi recuperado nesse período e pouco se fez para reabrir o espaço para a população e aos aficionados por carros.

Agora, a coleção, que conta com 40 veículos como Tucker e Alfa Romeo, está guardada, coberta por plásticos, em um galpão no Centro Educacional, localizado no Bairro Vera Cruz. A visitação não é aberta para visitantes.

Segundo a prefeitura, os carros ficarão no local por tempo indeterminado. “Após a transferência para o Centro Cultural, o acervo foi higienizado, catalogado e abrigado adequadamente e em segurança”, afirma o responsável pelo acervo, Hudson Moreira.

Uma exposição com as raridades chegou a ser feita em maio de 2012, mas a prefeitura não tem previsão para o restauro das peças. “ Inicialmente, a prefeitura teve que cuidar de questões urgentes para evitar o sucateamento. Dos 40, apenas 27 tem condições de restauro. Esse processo é uma etapa a médio prazo, bem mais complexa, que demanda uma série de fatores, como recursos técnicos e orçamentários”, explica.

Para Og Pozolli, colecionador de automóveis antigos, o restauro dos veículos é uma questão complicada para a Prefeitura de Caçapava. "A restauração de um acervo como esse é sempre bem vista. A administração estava com a ideia, a tentativa, mas isso vai demandar muito dinheiro e me parece que a Prefeitura não teria esse valor".


Carros estão perfilados em um galpão da Prefeitura - (Foto: Carlos Santos/G1)

Segundo o colecionador, o valor de restauro de cada veículo ficaria, em média, em cerca de R$ 100 mil. "A prefeitura teria que buscar parcerias, mas acho extremamente difícil. Talvez o mais prático seria tentar acordo com colecionadores. Ou consegue verba ou arranja alguém que queira bancar. É uma pena este cenário, porque com o tempo o acervo só deve se deteriorar ainda mais", diz.

Quando houver a disponibilidade da verba para realizar os trabalhos, o restauro precisa ser aprovado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), já que o patrimônio é um bem tombado pelo órgão. “ Precisamos de autorização do conselho para passar por qualquer tipo de intervenção ou restauro, mas como é um processo complexo, só deve acontecer na gestão do próximo prefeito”, diz.

O prefeito eleito de Caçapava, Henrique Rinco (PSDB), afirmou que deseja recuperar todos os veículos, mas ainda não sabe nem quando e nem como fazer. "Assim que tomarmos posse vamos avaliar a situação e ver o que conseguiremos fazer para viabilizar o restauro dos veículos", explicou ao G1.

A coleção de veículos e acessórios do Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas foi tombada pelo Condephaat em 1982. O acervo tombado era composto de 97 veículos, motores, miniaturas de autos, distintivos de automóveis-clubes de todo o mundo e cerca de 200 gravuras.

Raridades

Toda coleção tem suas relíquias e, mesmo desgastado e deteriorado com o tempo, carros rarísimos fazem parte do legado deixado por Lee. O principal é um Tucker. O veículo, considerado um carro revolucionário, foi fabricado em 1948 nos Estados Unidos pelo empresário Preston Tucker, que pretendia implantar uma fábrica no Brasil e receber incentivos fiscais.

De acordo com Og Pozolli, um dos maiores colecionadores de veículos no Brasil, o exemplar de Caçapava está entre os únicos 50 modelos que foram produzidos. "É a única peça na América do Sul e uma das poucas que saíram dos Estados Unidos. Uma verdadeira raridade", explica.

O valor histórico do veículo também se reflete no preço de mercado. Um Tucker pode custar até US$ 500 mil, cerca de R$ 1 milhão.


Dos 40 carros que restaram do acervo, apenas 27 estão em condições de restauro (Foto: Carlos Santos/G1)

Um dos mais antigos carros de corrida do automobilismo também faz parte da coleção. O Alfa Romeo P2, modelo Grand Prix, já chegou a passar por uma restauração antes de ser doado ao museu.

Segundo Pozolli, o exemplar que pertence ao acervo é o mesmo que, durante uma corrida em circuito de rua em São Paulo, se envolveu em um acidente com oito vítimas fatais na Avenida Brasil em 1936. "É o mesmo exemplar, mas juntou-se algumas outras peças que se perderam por conta do acidente. Pertenceu à corredora francesa Helle Nice antes de ser parte do acervo. Tem um valor histórico enorme", diz.

Um Packard, ano 1939, também faz sucesso entre os modelos. O veículo pertenceu ao governo de Minas Gerais e foi usado em novembro de 1968 para servir o príncipe Phillip, duque de Edimburgo, durante visita da família real a São Paulo. "O próprio Roberto Lee usou o veículo para transportar o duque. Esse carro, ao longo dos anos, foi totalmente deteriorado, mas é muito valioso também".

Além deles, o acervo também conta com Cadillac, Simca, Alfa Romeo Coloniale, entre outros.


Prefeitura negocia com família o prédio que abrigava o museu na cidade (Foto: Carlos Santos/G1)

História

O Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas foi fechado em 1993, após funcionar por quase 30 anos em Caçapava, abrigando uma coleção que exibia exemplares raros do automobilismo mundial.

Inicialmente, o museu foi fundado em 1963 em São Paulo, mas no ano seguinte foi transferido para a Fazenda Esperança em Caçapava. O museu surgiu de uma coleção particular de automóveis e outras peças mecânicas adquiridas pelo empresário Roberto Eduardo Lee, desde 1948.

Com um acerco de 200 veículos, o museu se tornou referência como um dos principais do gênero na América Latina e atraiu colecionadores e visitantes interessados em automobilismo.

Com a morte de Roberto Lee, em 1975, o espaço ainda continuou aberto até 1993, quando foi fechado definitivamente. Como ficou sem manutenção, o acervo começou a se deteriorar. Os carros que não pertenciam a Roberto Lee, porque faziam parte de coleções particulares que estavam no local em regime de comodato, começaram a ser retirados do local por seus proprietários.

Publicado em: 21/11/2012
Fonte: G1.com.br

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